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Sem pessoal, o sistema de Ciência e Tecnologia está em risco no Brasil

29/07/2019

O Brasil corre o risco de um desmonte das instituições ligadas à Ciência e Tecnologia por falta de reposição de mão de obra qualificada. O tema foi debatido em audiência pública promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Autor do requerimento para a audiência, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) ressalta que as carreiras de ciência e tecnologia estão presentes em 21 órgãos e instituições do Poder Executivo.

Os servidores são responsáveis por ações em áreas como atividades nucleares, Programa Espacial Brasileiro, medicina nuclear, tratamento de doenças e indústria de defesa, por exemplo. Essas carreiras, segundo o senador, perderam 75% dos quadros nos últimos 30 anos, especialmente por causa da evasão provocada por baixos salários. Atualmente as perdas variam entre 10% e 12% ao ano, em razão de aposentadorias. Em cinco anos, advertiu Izalci, pode haver o desmonte de algumas instituições.

"Estamos vivendo uma crise econômica séria, mas é tiro no pé tirar recursos da ciência e tecnologia. A partir de 2014, os cortes foram muito centrados no setor de Ciência e Tecnologia", lamentou o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira. 

O secretário-executivo do Fórum Nacional das entidades Representativas das Carreiras de Ciência e Tecnologia, Ivanil Elisário Barbosa, advertiu. "O sistema está morrendo, as pessoas não estão sendo substituídas, e o nosso conhecimento está se esvaindo e nos deixando distantes de outros países.”

O responsável pela área de concurso público do Ministério da Economia, Rafael Castro, disse que, neste momento, o governo trabalha para fortalecer a contratação temporária no setor público como forma de suprir essa ausência de profissionais em função das aposentadorias dos servidores.

Durante a audiência pública, realizada no último dia 17 de julho, os especialistas presentes cobraram o aumento dos investimentos no setor do percentual de 1,1% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e lembraram que Coreia do Sul e China, se tornaram potências após priorizarem os investimentos na área. "Se o país quer realmente gerar emprego e renda, não há outro caminho que não seja o da ciência e tecnologia", completou o senador Izalci Lucas (PSDB-DF).


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