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5G avança mais rápido que 4G e estará em metade dos dispositivos em três anos
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14/08/2019

Experiências da Coreia e da China fortalecem a importância de leilões que privilegiam cobertura no lugar da arrecadação para acelerar a adoção, e os benefícios, da nova tecnologia. O intercâmbio de informações aconteceu na 5º Reunião de Ministros de Comunicações dos BRICS, realizada esta semana, em Brasília. O Brasil exerce, ao longo deste ano, a presidência de turno do BRICS.

Os sinais são de um avanço muito rápido do 5G pelo mundo, mais ainda naqueles países que calibraram suas políticas públicas para antecipar os dividendos da nova tecnologia. Segundo apontado nesta terça-feira, 13/8, durante reuniões de negócios entre os países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – as receitas variam, mas privilegiam dar a musculatura que operadoras precisam para oferecer o quanto antes serviços em quinta geração.

China e Índia apresentaram suas políticas de conectividade como base para a implantação do 5G. E talvez ainda mais significativo seja o exemplo chinês da alocação de espectro no país, que foi antecipada de 2020 para este 2019. O país, a exemplo da Coreia do Sul, decidiu não cobrar pelas frequências, mas exigir cobertura.

“Existem dois recursos limitados: espectro e dinheiro. Por isso o leilão, que é o primeiro passo, deve ser na modalidade de alocação da frequência de forma gratuita, com uma contrapartida de cobertura. Não só a China, mas outros países, como a Coreia, têm tido muito sucesso com essa abordagem”, afirmou Wilson Cardoso, da Nokia, ao participar do debate sobre investimentos em comunicações nos BRICS.

Como foi explorado durante as discussões, essa é uma das formas de acelerar a adoção do 5G, especialmente em um cenário em que a tecnologia está chegando mais rapidamente do que as anteriores. “Está muito claro que o 5G avança muito mais rápido. No primeiro ano  ano do 3G havia seis redes, no primeiro ano do 4G, 17 redes. No 5G já são mais de 30 redes. Em 2020, 20% dos smartphones já serão 5G. Um ano depois, serão 50%. E a expectativa é que tenhamos smartphones 5G de 200 dólares em três anos”, disse o representante da chinesa Huawei, Carlos Roseiro. Detalhe, metade desses usuários estará na China.

Essa velocidade também se espalha pelo ecossistema. Nas contas dos especialistas, já são mais de 150 dispositivos 5G anunciados ou em desenvolvimento, como smartphones, módulos, hotspots e até mesmo laptops. Em comparação semelhante, enquanto no primeiro ano do 4G eram apenas 4 operadoras e 3 OEMs (fornecedores de dispositivos), no 5G já há 20 operadoras e 20 OEMs trabalhando em dispositivos para a nova tecnologia. “Há muita tração, mais do que esperávamos, no ecossistema em geral. O 5G está aqui”, afirmou Helio Oyama, da Qualcomm.

Cientes de dificuldades – os BRICS têm em comum áreas extensas e disparidade de renda – parte da implementação envolve viabilizar ganhos de eficiência mesmo em nichos não inicialmente atrativos para o mercado. “Introduzir ganho de eficiência, mesmo que pequeno, fora dos grandes centros, viabiliza a construção de infraestrutura. Mas isso exige soluções que sejam relevantes para questões locais”, disse o diretor da Ericsson, Tiago Machado.


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